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                       ANTÔNIO E DINA
 
               Era dezembro. O novilho aguardava seu sacrifício, pois iria servir de churrasco na festança. Os porcos e frangos também teriam a mesma sorte. Grandes preparativos se faziam. Uma família rica, honesta e trabalhadora. Excelentes patrões. Tinham os empregados como se fossem filhos.  Quando os vizinhos souberam do casamento de Antônio conhecido como Tonhão e a jovem Dina, ficaram admirados. O motivo: Ela uma ricaça e ele bastante pobre. O que ganhava sustentava a casa que morava com a sua mãe e cinco irmãos menores. A mamãe dona Conceição lavava roupas para ajudar no sustento, mas nos últimos meses devido ao estado de saúde, não conseguia trabalhar.  Para sorte do rapaz o destino lhe foi generoso.
                  Ele sete anos mais velho que a moça. Alguns anos antes a menina caiu num poço na fazenda da família. Tonhão que na época era empregado do senhor Ibrahim pai da jovem, numa atitude impensável, simplesmente pulou lá embaixo e resgatou a então adolescente salvando-a da morte. Os pais ficaram muito gratos. Ofereceram como se fosse uma recompensa, uma casa de presente para Antônio, mas este a recusou. A senhorita Dina nunca esqueceu. Depois de quinze anos quando se encontraram de novo, ela lembrou o episódio.  O rapaz nem lembrava mais. Disse que não fez mais que a obrigação e teria feito com qualquer outra pessoa. Sendo para socorrer alguém, na medida do possível sempre estaria disposto.
                       A plantação que Antônio mantinha não era muita porque tinha poucos recursos. Plantava o suficiente para passar o ano e o tempo que sobrava prestava serviços aos outros agricultores. Era uma vida sofrida, mas divertida. Finais de semana costumava pescar no Rio Tamanduá. Domingo cedo ia à missa, voltava para almoçar e lá se mandava para o pesqueiro onde passava à tarde. Depois que começou a namorar a menina Dina, pescava com menos frequência.  Preferia passar esse tempo com o amor da sua vida, na casa do futuro sogro. Seu pai, o Sr. Luiz havia falecido há três anos e meio, acometido de uma forte dor de cabeça. Suspeitaram na época que teria sido meningite. Sua mãe Maria Conceição, conhecida por dona Côncia, ficara viúva com os filhos menores e sem ter nenhum tipo de benefício.
                  Num almoço de aniversário Tonhão foi convidado por ela e pelos pais para participar. Com certa timidez chegou o dia e foi até à residência. Na chegada o pai da aniversariante lhe pediu para assar o churrasco. De imediato aceitou. A carne estava pronta, bem temperada. Era só colocar no fogo. Assou com toda a arte de um bom churrasqueiro. Muita gente na festa. Pessoas ricas, mas com trajes bem à vontade. Para os que não tomavam bebidas de álcool, havia algumas sem o conteúdo alcoólico. Outros tomavam chimarrão. Apareceu um gaiteiro que logo puxou sua gaita velha de oito baixos e começou a cantar. Mais tarde formaram uma cantoria ao som do acordeão. Alguns bem desafinados, mas cantavam mesmo assim. 
                      Na hora de lavar as louças, Tonho que já havia trabalhado bastante, ainda se prontificou a fazê-lo. Ele lavava e Dina enxugava. Conversa vai e conversa vem, quando estavam todas as louças lavadas, ela o empurrou para o lado dos fundos da casa.
                      - O que é isso, guria? Estou estranhando você.

(...)

Continua

(Christiano Nunes)
Christiano Nunes
Enviado por Christiano Nunes em 01/12/2018
Alterado em 08/12/2018
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